Na foto, da esquerda para a direita: José Antonio Tessari, presidente do Conselho Estratégico da ABCIC e sócio-diretor da Rotesma Pré-fabricados (Santa Catarina e Paraná); João Alberto de Abreu Vendramini, presidente da Abece; Íria Doniak, presidente da Abcic; Paulo Camillo, presidente da ABCP; Afonso Mamede, presidente da Sobratema; e Júlio Timerman, presidente do Ibracon

ABCIC Networking

01/02/2019
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FGV conduz palestra sobre as perspectivas da construção no período 2019-2022

A ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) realizou na quarta-feira, 30/01/2019, em São Paulo, a terceira edição do evento ABCIC Networking, que trouxe ao debate a “Conjuntura Econômica Ante o Novo Governo”, em palestra ministrada pela economista Ana Maria Castelo, da FGV (Fundação Getúlio Vargas). A ABCIC Networking III contou com a participação do presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, que já confirmou presença na edição do encontro marcada para abril, quando abordará, como palestrante, o “Mercado de Cimento”. Além da palestra, o encontro foi uma oportunidade para a apresentação da 12aedição do Concrete Show, que ocorrerá entre 14 e 16 de agosto de 2019 em São Paulo.

Legado de 2018

Na palestra, a economista da FGV apresentou o que chamou de “Legado de 2018”. Entre diversos indicadores reunidos, destacam-se a dívida bruta do governo, que atingiu seu maior patamar desde 2001 (quase 80% do PIB), a produção física de insumos, que cresceu apenas 1,4% depois de sucessivas quedas desde abril de 2014 e o PIB da Construção negativo (-2,4%), que acumula -28% em cinco anos.

Apesar dos números finais, a conclusão da especialista é de que foi o “ano da despiora”, já que o mercado imobiliário reagiu com melhoria nos lançamentos, vendas e distratos, crescimento do crédito, impulsionamento de obras por conta das eleições, queda do desemprego e maior otimismo do empresariado pelo Indicador de Confiança. “Enfim, os indicadores apontaram que o pior ficou para trás”, observou.

Perspectivas e cenários 2019-2022

Com um crescimento do PIB estimado entre 2,3% (Boletim Macro) e 2,5% (Focus 25/01) para 2019, o ano começa com mais otimismo por parte dos consumidores, observou Ana Castelo. No mercado imobiliário, a Abrainc registrou crescimento de 29,4% no número de lançamentos nos últimos 12 meses (até outubro de 2018), em comparação com os 12 meses anteriores. As vendas de imóveis novos, por sua vez, cresceram 5,3% no período e, segundo o Secovi-SP, na Região Metropolitana de São Paulo as vendas tiveram alta de 29%.

A economista destacou que, na área de infraestrutura, existem R$ 339 bilhões em projetos contratados ou engatilhados e desse total R$ 291,6 bilhões devem se realizar nos próximos cinco anos, segundo o banco Itaú BBA. Em termos percentuais, a InterB Consultoria estima que os investimentos devem representar 1,6% do PIB em 2019, muito próximo da taxa de 2017 (1,7%). Além disso, o mercado também deve ser movimentado pela agenda de privatizações que o atual governo deve apresentar este ano.

Com base nesses comportamentos, a perspectiva é de que o PIB da Construção fique em 2% no ano. Mas tudo depende das reformas a serem feitas (conforme quadro e gráfico a seguir).

Condicionantes x riscos

Para Ana Castelo, as condicionantes do melhor cenário para o período 2019-2022 são:

  • Cenário externo: desaceleração suave do crescimento mundial
  • Realização das reformas macroeconômicas: previdência e tributária
  • Melhoria do ambiente de negócios: fortalecimento das agências regulatórias, aumento da eficiência do Estado, redução da burocracia
  • Ações voltadas à melhoria da qualidade da educação, à sustentabilidade e à modernização

Se houver essas condições, os resultados poderão ser:

  • Crescimento sustentado com elevação do PIB potencial
  • Mercado imobiliário (residencial e não residencial) cresce de forma sustentada
  • Ambiente favorável ao investimento atrai capitais externos e impulsiona a infraestrutura
  • Aumento de produtividade

Os riscos para que nada disso aconteça são:

  • Desaceleração mais forte do crescimento mundial
  • Não aprovação, baixa abrangência ou transição muito longa das reformas
  • O fracasso da agenda de modernização