Estabilidade leva à recuperação

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Mudanças e atualizações regulatórias animam as perspectivas dos setores, cada vez mais integrados ao avanço do mercado interno 

Fonte: O Estado de S. Paulo (28 de setembro de 2018) 

A estimativa é que até 2022 a produção nacional de petróleo dobre e alcance 4 milhões de barris por dia 

Apesar da recuperação ainda tímida da economia brasileira, os setores-base como os de petróleo, minério e cimento têm tido boas notícias quanto à estabilidade regulatória, segurança jurídica e estímulos à redução de custo de produção. O setor petroleiro, por exemplo, está vendo os principais fornecedores globais voltarem ao mercado nacional. “Vamos ser grandes agentes da retomada do crescimento estruturado da economia”, afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). 

O cenário é favorável porque o contexto global de alta do preço do barril incentiva a compra de mais campos de petróleo. E o país está sabendo aproveitar. Pires menciona o projeto de venda de 60% de quatro refinarias e a Lei de Cessão Onerosa (8.939/17), que, se aprovada no Congresso, vai autorizar o leilão de seis blocos na Bacia de Santos e, com isso, arrecadar R$ 100 bilhões ainda este ano. 

A estimativa é que até 2022 a produção nacional de petróleo dobre e alcance 4 milhões de barris por dia. Isso só será possível com a chegada de novas empresas. “Precisamos nos acostumar com o fato de que a produção de petróleo não será realizada só pela Petrobrás”, adianta Pires. Mas ele pondera: “O único ponto contra é o medo de nova intervenção do governo”. 

Responsável por 16,8% do PIB industrial do ano passado, a mineração respira bons ares. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) prevê investimentos de US$ 19,25 bilhões no setor nos próximos cinco anos. O número é 7% maior do que as projeções feitas em 2017. Segundo Cinthia Rodrigues, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Ibram, a revisão se deve às expectativas geradas pelas MPs 789/17, 790/17 e 791/17, que atualizaram as regulações do setor e criaram a Agência Nacional de Mineração. Na opinião da gerente, com a nova regulação, o país está mais atrativo para investimentos, e isso anima as perspectivas. 

Já o setor de cimento enfrenta dificuldades. Depois de ampliar o potencial de produção para 100 milhões de toneladas por ano, o parque fabril está encarando 47% de capacidade ociosa. O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) previa crescimento de 2% em 2018, mas assistiu a uma retração de 1,5% só no primeiro semestre. Paulo Camillo Penna, presidente da entidade, estima queda de 2% no ano. “E então serão quatro anos de quedas consecutivas.” 

Mas a proatividade do setor segue forte. Com foco em sustentabilidade e redução de custo de produção, as empresas têm usado como energia térmica a biomassa e os resíduos sólidos industriais. Essas fontes de energia já alimentam 15% das indústrias do setor. Segundo Penna, um dos desafios é ampliar esse uso por meio de parcerias com Estados e municípios, a fim de contribuir com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. 

Quanto ao cenário de geração de energia e economia de base, Pires acredita que o país precisa regionalizar a política energética. “Não faz sentido transferir energia eólica do Nordeste para São Paulo se no Sudeste tem biomassa da cana-de-açúcar.” A biomassa de babaçu e casca de arroz, já representa 7% da energia térmica de toda a indústria cimenteira.