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Especialista em pavimento de concreto
Marcos Dutra
de Carvalho é engenheiro civil, formado
pela Universidade Federal de Juiz de Fora, em
1977. Iniciou sua atividade profissional na
ABCP em janeiro de 78, depois de estagiar na
Associação, sob a orientação
de Márcio Rocha Pitta, especialista em
pavimento de concreto falecido recentemente.
Dutra trabalha há 27 anos na área
de assessoria e consultoria de projetos com
materiais cimentícios, principalmente
o pavimento de concreto, sua especialidade,
e já publicou mais de 70 trabalhos e
artigos técnicos no Brasil e no exterior.
Nesta entrevista, o engenheiro mostra as inovações
obtidas na área de pavimento de concreto
no Brasil

Boletim Informativo Cimento Hoje – n°
53 – Junho de 2005
O que há
de novo, em grandes obras e tecnologia na área
de pavimentação?
A aquisição, a partir de 1997,
de equipamentos para a execução
de pavimentos de concreto, tendo em vista a
produtividade e qualidade na obra, foi um grande
impulso para a pavimentação rígida
no Brasil, que hoje conta com cinco vibroacabadoras
de fôrmas deslizantes e seis usinas móveis
para dosagem e mistura de concreto.
Este conjunto de equipamentos
permitiu a execução de pavimentos
com produtividade e qualidade em grandes obras,
como a marginal da Via Dutra, em 1998, a rodovia
dos Imigrantes, marginais da rodovia Castello
Branco, o Rodoanel São Paulo, a BR 232
(Recife - Caruaru), a BR 290 (Porto Alegre -
Osório), e a MT130 (Paranatinga - Primavera
do Leste), entre outras. São obras relativamente
recentes, de alta durabilidade, construídas
com maior
rapidez e menor custo final.
Os profissionais da construção
civil têm acompanhado o avanço
da tecnologia?
Com certeza. Nos últimos anos ocorreu
uma notável qualificação
e aprimoramento profissional de técnicos
e engenheiros. Existem, também, vários
profissionais especializados na operação
dos equipamentos, tanto de vibroacabadoras como
de usinas dosadoras e misturadoras.
Com
essa mudança, o que muda em termos de
resultado final?
A maior competitividade do pavimento de concreto
ficou evidente. Já se sabia que o custo
final (construção mais manutenção)
da utilização do pavimento de
concreto era muito menor do que as soluções
asfálticas, porque o concreto dispensa
manutenção nos primeiros 20 anos.
A novidade é que o custo inicial (de
construção) também ficou
mais competitivo. E isso ainda surpreende quem
não trabalha na área.
Qual
é a tendência na utilização
dos pavimentos aqui no Brasil?
No Brasil, temos nossa experiência com
pavimento de concreto simples, com barras da
transferência, sem armadura. Usamos os
mesmos princípios de projeto e de construção
utilizados na Alemanha. Nos Estados Unidos,
esse tipo de pavimento também é
bastante usado, mas existem outras alternativas
de pavimentação com concreto,
como o pavimento continuamente armado.
Esse pavimento é
armado e feito sem juntas de retração.
Essa alternativa de projeto admite a ocorrência
de fissuras transversais com espaçamento,
geralmente, entre 60 cm e 1,20m. A estrutura
trabalha fissurada durante 40, 50 anos. Aqui,
nós controlamos a fissuração.
Existe, ainda, alguma
resistência à utilização
do pavimento de concreto?
Não. Tanto que temos obras muito importantes
no Brasil sendo licitadas em concreto, como
a BR 101 Norte, de 400 km. Os órgãos
já vêem no concreto uma solução
viável para o país. A vitrine
construída nesses últimos anos
mostra o potencial do concreto e a excelência
do produto. Por que não usá-lo?
É um produto competitivo, os insumos
são nacionais, o cimento é nacional,
não dependemos de petróleo importado.
Por
que existia esse preconceito?
Por uma questão cultural. O petróleo
era muito barato até 1979, quando ocorreu
a segunda crise mundial desse produto. Nas décadas
de 1950 e 60 houve um avanço tecnológico
muito grande na pavimentação,
comandada pelos EUA, e nessa época o
asfalto era um produto que atendia bem as necessidades,
em função do preço.
Mas, hoje o petróleo
está custando quase 60 dólares
por barril. Nós acompanhamos as tendências
e estudos nas universidades norte-americanas
e sabemos que atualmente a realidade é
outra.
Contato: eng. Marcos
Dutra de Carvalho,
marcos.dutra@abcp.org.br
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