Últimas notícias
Press-kit
Contatos
Textos publicados
Logomarcas e banners

   
 



ENTREVISTA RENATO JOSÉ GIUSTI


Os pavimentos de concreto duram mais de 50 anos

Leia a entrevista exclusiva do presidente da ABCP à Revista Engenharia

Engenheiro metalúrgico, com 25 anos de experiência como executivo de grandes empresas (como a Votorantim, onde atualmente ocupa uma diretoria), o presidente Renato Giusti, da ABCP, diz que as perspectivas para os pavimentos de concreto são otimistas, citando casos exemplares como o Rodoanel Mario Covas e a Rodovia dos Imigrantes, ambos em São Paulo, a BR 232, em Pernambuco, e a BR 290, no Rio Grande do Sul. Segundo ele, esses pavimentos são projetados para durar 30 anos, sem manutenção. Mas acabam durando meio século, senão mais.

Se preferir, clique diretamente sobre o tema desejado:
1) Trajetória histórica do cimento
2) Evolução do cimento Portland x sofisticação da construção civil
3) Marca de conformidade ABNT para a indústria de cimento
4) Tipos de cimento portland
5) Uso de adições
6) Principais resíduos utilizados
7) Tipos de cimento x aplicações
8) A importância do traço
9) Processo de adensamento
10) Processo de cura
11) Patologias relacionadas com adensamento e cura mal-executados
12) Perspectivas para o pavimento de concreto nas estradas brasileiras
13) Perspectivas para o pavimento de concreto em ruas e avenidas
14) Vantagens técnicas do pavimento de concreto
15) Vantagens do pavimento de concreto quanto à manutenção
16) Fundação e objetivos da ABCP
17) Associados da ABCP
18) Principais projetos da ABCP voltados ao meio ambiente
19) A ABCP como centro de referência em tecnologia do cimento
20) Transferência de tecnologia
21) Cursos oferecidos pela ABCP

A entrevista da presente edição da REVISTA ENGENHARIA (nº 565 – ANO 62 – novembro 2004) é com Renato José Giusti, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland, ABCP, entidade de caráter técnico da indústria do cimento no país. Giusti é engenheiro metalúrgico formado em 1971 pela Faculdade de Engenharia Industrial,FEI, e tem cursos de especialização em marketing e mercado. É também vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, SNIC, e reúne experiência de mais de 25 anos como executivo de grandes organizações, em especial da Votorantim Cimentos, onde ocupa uma de suas diretorias. Além disso, é membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT; conselheiro do Instituto Brasileiro do Concreto, Ibracon; membro do Fórum de Competitividade da Construção Civil do Ministério do. Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e membro da Comissão da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, CIC/Fiesp.

Numa das abordagens da entrevista, perguntamos a Giusti se, com o mercado do petróleo "pegando fogo" lá fora - o que faz mudar cada vez mais a estrutura de custo do asfalto -, não seriam promissoras as perspectivas de escolha do concreto para a pavimentação de estradas daqui para a frente. Sua resposta denota o equilíbrio com que costuma conduzir suas ações: "O pavimento de concreto é uma opção de pavimentação tão competente quanto às demais alternativas". Segundo ele, trata-se de uma solução duradoura para vias de tráfego pesado, repetitivo, intenso e canalizado como as rodovias federais, as BRs, marginais e corredores de ônibus, por exemplo. E isso independe do custo do asfalto.

O presidente da ABCP comenta, a propósito, que o setor está tratando de ampliar o emprego do pavimento de concreto na malha rodoviária nacional, aumentando assim a segurança, a solidez e a economia de custos de nossas rodovias. "Isso pode evitar o apagão logístico que tanto prejudica o escoamento de nossa produção, como, por exemplo, a perda de grãos", diz.

A ABCP foi fundada em 1936 com o objetivo de promover estudos sobre o cimento e suas aplicações. É uma entidade sem fins lucrativos, mantida voluntariamente pela indústria brasileira do cimento, que compõe seu quadro de associados. Reconhecida nacional e internacionalmente como centro de referência em tecnologia do cimento, a entidade tem usado sua expertise para o suporte a grandes obras da engenharia brasileira e para a transferência de tecnologia das mais diversas formas. Alguns exemplos dão uma idéia da abrangência de sua atuação: promoção de cursos de aperfeiçoamento e formação, seminários e eventos técnicos; parceria com dezenas de universidades, escolas e instituições de pesquisa do país; apoio às indústrias de produtos à base de cimento; publicação de livros, revistas e documentos técnicos; suporte à geração de normas técnicas brasileiras, no âmbito do CB-18.

Segundo o presidente Giusti, a nova postura da indústria brasileira do cimento, posicionando-se estrategicamente como parte da extensa cadeia da construção civil, levou a ABCP - como o braço técnico da indústria - a rever atividades, a buscar colaborações mais intensas e diversificadas com os setores, elos e agentes que integram o conjunto que se convencionou chamar de construbusiness. A atuação da ABCP, nesse sentido, tem sido maciça - diz. Essa manifestação ocorre por meio de ações e parcerias que favorecem a oferta de produtos e sistemas altamente competitivos, que podem ser reunidos em dois grandes núcleos: edificações e infra-estrutura.

Giusti explica que as áreas de interesse do cimento são amplas: arquitetura, projeto e obra, e administração pública. Na arquitetura, pela sua versatilidade na aplicação e flexibilidade no acabamento, os produtos à base de cimento são grandes aliados do arquiteto no processo criativo. Nos casos de projeto e obra, a resistência, durabilidade e segurança são fatores essenciais no projeto da edificação, e são justamente essas algumas características dos produtos à base de cimento, que dispõem de normas técnicas avançadas e grande investimento em pesquisa e novos materiais. Na administração pública, cite-se que uma cidade, por menor que seja, apresenta diversas necessidades - habitação, saneamento, pavimentação - que podem ser atendidas por sistemas cimentícios.

Mesmo vivendo os reflexos da queda do mercado de cimento nos últimos anos, o setor está otimista em relação a 2004, principalmente pelo viés de estabilidade nas finanças públicas que o governo está imprimindo à sua política econômica. Mas Giusti prefere não falar de aspectos de mercado, mantendo-se coerente com o escopo eminentemente técnico da entidade que preside. A seguir, a íntegra da entrevista.

1) REVISTA ENGENHARIA - O senhor pode descrever a trajetória histórica do cimento no mundo e no Brasil?
GIUSTI -
O produto mais próximo ao que conhecemos hoje como cimento, surgiu na Europa no início do século 19. Um construtor inglês, Joseph Aspdin, obteve a patente de um material acinzentado obtido da queima de uma mistura de calcário e argila, o qual denominou cimento Portland, nome dado pela similaridade da dureza e cor do produto com a pedra da Ilha de Portland, empregada nas construções daquela época. É bem provável que esse material não tivesse as características do cimento atual, devido à precariedade do fomo utilizado, mas é importante enfatizar que, apesar dos grandes avanços tecnológicos, o princípio básico da fabricação permaneceu o mesmo. Já no Brasil, o cimento Portland começou a ser produzido em 1926, na extinta Companhia Brasileira de Cimento Portland, de Perus, em São Paulo, muito embora saibamos que algumas experiências pioneiras foram realizadas antes no próprio Estado de São Paulo e também no Espírito Santo e Paraíba. E já em meados da década de 1930, as importações representavam menos de 5% do consumo total.

2) REVISTA ENGENHARIA - Discorra sobre a evolução do cimento Portland no Brasil, até o atual estágio em que existem cinco opções básicas (com algumas variações) de cimento nacional no mercado. Os tipos de cimentos acompanharam a crescente sofisticação da construção civil como um todo?
GIUSTI -
Sem dúvida houve uma grande evolução. Na verdade, a indústria brasileira do cimento sempre acompanhou a evolução da.construção civil no país, pela oferta de novos produtos, de qualidade e normalizados, para as diversas inovações tecnológicas surgidas e empregadas. Atualmente o Brasil conta com um parque industrial cimenteiro que compete em todos os aspectos com os mais avançados do mundo. O setor, no país, tem instalações industriais de alta tecnologia, que permitem aproveitar de maneira consciente os recursos naturais, respeitando o meio ambiente. Temos as mais baixas taxas de consumo energético por quilograma de cimento produzido e tecnologia sofisticada que garante padrões internacionais de emissão. A preocupação da indústria cimenteira com a qualidade do seu produto e, por conseqüência, com a normalização técnica, remonta à época da criação da própria Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, em 1940, pois foram sobre cimento, e também sobre concreto, as primeiras Normas Brasileiras, como a EB-1, de especificação de cimento Portland; a MB-1, de métodos de ensaios de cimento Portland; e a NB-1, de projeto e execução de estruturas de concreto.  [Topo]

3) REVISTA ENGENHARIA - De quando remonta a marca de conformidade ABNT da indústria de cimento?
GIUSTI -
A indústria de cimento também foi o primeiro setor a possuir marca de conformidade ABNT para seu produto, em 1977. Deve-se destacar também a intensa participação do setor nas Comissões de Estudo da ABNT, sobretudo do Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados - o CB-18 -, desenvolvendo e revisando especificações, novos métodos de ensaios ou procedimentos, defendendo sempre as melhores práticas da engenharia nas cerca de 280 normas para cimento e concreto regulamentadas pelo CB-18. A ABCP também contribui para o desenvolvimento do setor da construção dando suporte técnico. São quase sete décadas de trabalhos ininterruptos. Dispõe de modernos laboratórios na área de cimento e concreto, contando com um corpo técnico altamente especializado que dá suporte a fabricantes e consumidores do produto.  [Topo]

4) REVISTA ENGENHARIA-Quantos tipos básicos de cimento existem?
GIUSTI -
Atualmente, são produzidos cinco tipos básicos - CP I, CP lI, CP III, CP IV e CP V - e diversos subtipos ou tipos específicos que resultam em 13 produtos distintos, independentemente de marca ou classe de resistência. Todos, sem exceção, atendem às normas vigentes e às aplicações mais distintas e diversas e integram quaisquer dos sistemas e soluções construtivas empregadas hoje na construção civil, sejam os pisos intertravados para passeios públicos, estacionamentos e vias urbanas, ou a alvenaria estrutural com blocos de concreto para as edificações, ou ainda os pré-fabricados, pré-moldados e artefatos de concreto, como também os pavimentos de concreto, as estruturas de concreto e os revestimentos de argamassa, as barragens de concreto compactado com rolo, os tubos de concreto para as obras de saneamento entre tantos outros sistemas.  [Topo]

5) REVISTA ENGENHARIA – Como foi a evolução no que se refere ao uso de adições ao cimento?
GIUSTI -
No Brasil, o cimento Portland de alto forno, empregando a escória básica granulada de alto forno, começou a ser produzido e utilizado em 1952 e o cimento Portland pozolânico, empregando as cinzas volantes, no final dos anos 1960. Esses cimentos só puderam ser fabricados devido a alta qualidade do clinquer produzido pelas indústrias nacionais, que aceitam a inclusão dessas adições sem alteração das características principais do cimento comum, como por exempIo a resistência mecânica. Normas brasileiras rigorosas, amplamente estudadas e preconizadas pela ABNT, regem desde então a produção e aplicação desses cimentos, encontrados regionalmente em função da disponibilidade local das adições que mencionei. Igualmente rigorosas são as normas ABNT que classificam e qualificam as adições permitidas para adicionar aos cimentos.

6) REVISTA ENGENHARIA - Qual a importância das adições do ponto de-vista estritamente ecológico? Quais os principais resíduos utilizados para isso?
GIUSTI -
Como disse, as adições são as escórias básicas granuladas de alto forno e as cinzas volantes. Antes de serem aproveitados pela indústria de cimento, esses materiais geravam grandes passivos ambientais. Agora, são reaproveitados na produção de cimento, desde que as adições e o produto final resultante cumpram as normas vigentes, preconizadas pela ABNT. [Topo]

7) REVISTA ENGENHARIA - Qual a principal diferença entre os tipos de cimento em termos de aplicações?
GIUSTI -
Antes de tudo é preciso esclarecer, para não dizer reforçar, que todos os cinco tipos de cimento Portland - CP I, CP lI, CP III, CP IV e CP V - são adequados para qualquer estrutura. Entretanto, alguns, como mencionei, são mais recomendáveis para determinadas aplicações. Por exemplo, os cimentos Portland de alto forno e pozolânicos, CP III e CP IV, respectivamente, são também indicados para a construção de barragens, fundações, tubos e canaletas expostos a líquidos agressivos, obras submersas ou de zona costeira entre outras. O cimento Portland de alta resistência (CP V) é indicado para aplicações em que o requisito de elevada resistência às primeiras idades é fundamental, como na indústria de pré-moldados.

8) REVISTA ENGENHARIA - Qual a importância da definição do "traço" para um bom desempenho na execução de uma obra? Que" arte" é preciso dominar para a determinação do traço ideal para cada caso?
GIUSTI -
O concreto é o resultado da mistura íntima e adequada de cinco componentes: cimento Portland, areia, pedra, água e aditivos químicos, estes últimos, se necessários. O traço do concreto é exatamente a relação quantitativa entre cada um desses componentes. O concreto deve ser dosado de forma específica de acordo com sua finalidade e forma de aplicação. São muitos os fatores que influenciam as características do concreto, tais como a dimensão dos agregados, as proporções utilizadas, a umidade presente nos agregados, a utilização ou não dos aditivos químicos, o desempenho físico-mecânico do cimento etc. Portanto, não existe uma "receita" de traços de concreto. Existem, sim, metodólogias para determinação da dosagem - ou do traço - que reúnam a maior economia e a máxima trabalhabilidade, resistência, e principalmente, durabilidade.  [Topo]

9) REVISTA ENGENHARIA - O que é processo de adensamento?
GIUSTI -
É o processo de compactação do concreto feito, usualmente, por vibração, com a finalidade de acomodar os agregados e, principalmente, expulsar grande parte do ar presente na mistura, minimizando o ingresso e a ação de agentes agressivos no concreto e contribuindo para o alcance das mais elevadas resistências mecânicas. Atualmente existem os concretos auto-adensáveis, com características autonivelantes, que por serem extremamente fluidos dispensam ou minimizam a necessidade de vibração.  [Topo]

10) REVISTA ENGENHARIA - O que é processo de cura?
GIUSTI -
O concreto só endurece porque é hidratado. E algumas patologias, como fissuras, surgem porque o concreto não fica em contato com a água pelo tempo que deveria. A cura é exatamente isso: o processo que consiste em deixar o concreto em contato com a água para garantir a hidratação do cimento e suas reações químicas, que resultarão no desenvolvimento das resistências mecânicas e sua estabilidade volumétrica. Conforme o tipo de obra, a cura pode ser feita por molhagem freqüente da superfície do concreto, cobertura com sacos de cimento ou aniagem, camada de areia mantida úmida, ou ainda, cobertura com lonas plásticas ou aspersão com produtos de cura química, com formação de película para impedir a evaporação de água.  [Topo]

11) REVISTA ENGENHARIA - Quais os principais tipos de patologias que podem surgir quando os processos de adensamento e cura não são bem executados?
GIUSTI -
Se o concreto não for curado e ficar exposto à insolação e ventos, desde seu estado fresco, é provável que haja o aparecimento de fissuras que o deixarão vulnerável a agentes agressivos, comprometendo sua durabilidade. Por outro lado, a própria falta de hidratação vai resultar em perda de desenvolvimento da resistência, que pode chegar a 30%, em média. Tudo isso me obriga a salientar que a escolha do cimento mais indicado e normalizado, a dosagem correta, o adensamento adequado, a cura ideal, entre tantas outras atividades que integram a produção e aplicação do concreto, são fruto da adoção das melhores práticas na engenharia. E a adoção dessas melhores práticas é dever de toda a cadeia da construção, desde os projetistas, tecnologistas - em especial - das concreteiras e construtoras.

12) REVISTA ENGENHARIA - Com o mercado do petróleo "em chamas", muda cada vez mais a estrutura de custo do asfalto. Diante desse cenário, supõe-se que o concreto se mantenha estável. Quais, então, as perspectivas de aumento da escolha do concreto para a pavimentação de estradas?
GIUSTI -
O pavimento de concreto é uma opção de pavimentação tão competente quanto às demais alternativas, e é uma solução duradoura para vias de tráfego pesado, repetitivo, intenso e canalizado como as rodovias federais (as BRs), marginais e corredores de ônibus, por exemplo. E isso independe do custo do asfalto. Os pavimentos de concreto são projetados para durar 30 anos, sem manutenção. E acabam durando 50 anos, senão mais. Quanto às perspectivas, elas são otimistas. O Rodoanel Mario Covas e a Rodovia dos Imigrantes, ambas em São Paulo, a BR 232 em Pemambuco, a BR 290, no Rio Grande do Sul, hoje são uma realidade. Estamos tratando de ampliar o emprego do pavimento de concreto na malha rodoviária nacional, aumentando assim a segurança, a solidez e a economia de custos de nossas rodovias, evitando o apagão logístico que tanto prejudica o escoamento de nossa produção, corno, por exemplo, a perda de grãos.   [Topo]

13) REVISTA ENGENHARIA - Há possibilidades de que ruas e avenidas também sejam crescentemente especificadas em concreto?
GIUSTI -
Qualquer rua pode ser especificada em concreto, no entanto o que determina a sua competitividade econômica é o volume de tráfego, o peso desse tráfego e ainda, o tipo de solo. Por esse motivo, muitas vezes, em ruas residenciais, onde predomina o tráfego leve, o pavimento de concreto pode não ser a opção mais adequada do ponto de vista econômico. Porém, há outras alternativas para essas vias, corno os pisos intertravados e o concreto compactado com rolo, CCR, corno camada de rolamento, hoje empregados no Brasil. Entretanto nas vias que apresentem as condições que eu já citei - tráfego pesado, repetitivo, intenso e canalizado - corno as marginais, os corredores de ônibus, entre outros, o custo inicial chega a ser praticamente o mesmo de outras alternativas, considerando que no longo prazo - custo final, após 30 anos o pavimento de concreto resulta até70% mais econômico.  [Topo]

14) REVISTA ENGENHARIA - Além das possíveis vantagens no que tange a preço, quais outras vantagens técnicas do pavimento de concreto?
GIUSTI -
São várias. Como já disse, o pavimento de concreto dura mais de 30 anos, quase sem necessidade de reparos, proporcionando economia para o poder público. A economia de combustível pode chegar a até 20% para os veículos pesados e carregados que trafegam nele. É mais seguro para o usuário, pois não cria buracos e nem trilhas de roda, e necessita de urna distância para frenagem menor, principalmente em pisos molhados. Soma-se a isso a não ocorrência de aquaplanagem, causa de inúmeros acidentes. Por ser de cor clara, economiza energia e retém menos calor. A construção é ágil e o tráfego pode ser liberado em questão de horas. É resistente ao derramamento de combustíveis, óleos e graxa, às chuvas e a altas temperaturas. Apresenta excelente conforto de rolamento, cabendo neste caso, às construtoras, o papel fundamental de bem executá-los, com o emprego dos mais modernos equipamentos, hoje amplamente disponíveis no Brasil.  [Topo]

15) REVISTA ENGENHARIA - Especificamente, quais as vantagens do concreto no que se refere à manutenção posterior?
GIUSTI -
Na pavimentação de concreto a manutenção é mínima. A manutenção se resume a reselagem das juntas a cada dez anos ou mais, dependendo do material empregado. A maior vantagem, no entanto, é que a verba economizada em manutenção poderá ser usada na pavimentação de novas rodovias, contribuindo assim para a melhoria da logística nos transportes e para a redução do Custo Brasil, todos fundamentais para o desenvolvimento econômico do país.  [Topo]

16) REVISTA ENGENHARIA - Quando foi fundada a Associação Brasileira de Cimento Portland e quais são seus principais objetivos?
GIUSTI -
Conscientes da importância do concreto no desenvolvimento' do Brasil, um grupo de visionários industriais do setor fundou, em 1936, a Associação Brasileira de Cimento Portland corno forma de somar esforços - de maneira formal e organizada - para o melhor emprego do cimento Portland, tanto técnica como economicamente. A ABCP, após quase 70 anos, evoluiu e se tornou um centro de excelência em tecnologia e inovação que trabalha pela expansão do mercado brasileiro dos sistemas à base de cimento. Para tanto, desenvolve e promove soluções técnicas que atendam aos consumidores, sejam fabricantes de produtos derivados ou empreendedores da indústria da Construção Civil. Os laboratórios da ABCP, credenciados pelo INMETRO e com certificação ISO 9001:2000, são o grande suporte para as inovações tecnológicas do setor, instrumento de pesquisa e apoio para teses de mestrado e doutorado. Paralelamente, a função de educadora da ABCP, deve ser ressaltada. De fato o aperfeiçoamento e treinamento de pessoal nas mais variadas técnicas começaram na ABCP ainda na década de 1950, já com cursos de tecnologias básicas de concreto, e atualmente somando mais de 30 cursos de maior extensão para a formação de especialistas em aplicações específicas. Atualmente a ABCP tem como uma das metas principais atuar no fomento de capacitação e integração da cadeia da construção civil a partir de estudos, experiências, práticas e tecnologias de sistemas construtivos. Não por outra razão, está presente em eventos e com ações contributivas no construbusiness, no Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico do Ministério das Cidades, levando propostas e projetos sociais como a Habitação 1.0 (habitação de interesse social) entre outros. Tenho ó costume de dizer que "ninguém faz nada sozinho" e essa frase tem norteado as ações que temos desenvolvido com a cadeia da construção. Tenho certeza de que o setor e a ABCP não desviarão dessa premissa, que muito tem contribuído para o desenvolvimento de relações técnicas e comerciais seguras, transparentes e vitoriosas em prol da qualidade e do engrandecimento da cadeia da construção civil, que representa 16% do PIB brasileiro.  [Topo]

17) REVISTA ENGENHARIA - Quantos associados a ABCP têm hoje?
GIUSTI -
No total são 10 grupos cimenteiros. São eles: Camargo Corrêa Cimentos, Cimento Itambé, Cimento Nassau, CP Cimento, Cimpor, Ciplan, Holcim, Lafarge, Soeicom e Votorantim Cimentos.   [Topo]

18) REVISTA ENGENHARIA - Quais os principais projetos voltados para o uso racional dos recursos naturais ou à recuperação do meio ambiente que a ABCP participa?
GIUSTI -
O cuidado com o meio ambiente sempre foi uma prioridade e está dentro do projeto de desenvolvimento sustentável do setor. Os projetos de uso racional ou de recuperação do meio ambiente são contínuos e rigorosos nas unidades de fabricação. A ABCP desenvolve programas de pesquisa para a destruição final de resíduos industriais em fornos de cimento, usados como combustíveis alternativos, preservando os recursos energéticos. Essa atividade é conhecida como co-processamento de resíduos em fornos de cimento. Entre esses resíduos, merece destaque os pneus inservíveis que hoje são queimados nos fornos de cimento, contribuindo para reduzir mais esse passivo ambiental, além de reduzir possíveis focos de doença.

20) REVISTA ENGENHARIA - Como é feito o processo de transferência de tecnologia na ABCP?
GIUSTI -
É feito por meio de convênios e cursos de profissionalização técnica. Só em 2003, para dar um exemplo, a Associação ministrou 114 cursos, profissionalizando cerca de 3000 pessoas. Desde 1954, realiza treinamentos voltados aos profissionais da área de construção civil. Até hoje, a entidade formou mais de 30 000 pessoas. A ABCP faz parcerias com entidades como Sebrae, Senai, Ibracon, Sinduscon e escolas nacionais de engenharia e arquitetura, disponibilizando conteúdo técnico, material didático e treinando os professores para tornarem-se multiplicadores de tecnologias. Dispõe ainda da mais completa biblioteca da América Latina sobre cimento e concreto, aberta ao público em geral e de um serviço gratuito de atendimento ao cliente, denominado Disque Cimento e Concreto, que esclarece toda e qualquer dúvida àqueles que fazem uso do cimento, além do nosso site (www.abcp.org.br). Recentemente, a ABCP idealizou o movimento Comunidade da Construção, um programa que une toda a cadeia da construção civil a partir dos Sinduscon' s e seus associados - as construtoras - para aumentar a competitividade, produtividade e qualidade dos sistemas à base de cimento empregados nas edificações. Com esse movimento, a ABCP tem alcançado com os parceiros da cadeia, resultados surpreendentes de integração e aperfeiçoamento de toda a tecnologia empregada na construção civil, aumentando a produtividade e competitividade dos sistemas à base de cimento, em especial das estruturas de concreto. As conquistas do movimento podem ser vistas no site (www.comunidadedaconstrucao.com.br).

21) REVISTA ENGENHARIA - Quais os principais cursos promovidos pela entidade?
GIUSTI
- Os cursos - de formação, informação ou especialização, com duração de 8 a 120 horas - visam promover os sistemas construtivos, disseminar a cultura e garantir, ao mercado, profissionais altamente qualificados que possam desenvolver obras e projetos de qualidade otimizando o uso do cimento e as melhores práticas recomendadas. Em função da variedade de cursos disponíveis, a ABCP é considerada um centro de formação completo sobre o melhor uso e aplicações do cimento e seus derivados. Entre os temas discutidos estão: solo-cimento, tecnologia básica de concreto, alvenaria estrutural com blocos de concreto, artefatos de cimento, pavimentos de concreto, pavimentos intertravados com blocos, argamassa de assentamento e de revestimento, entre outros.      [Topo]

 

 

 

 

 

 

  Envie seu comentário        
Todos os direitos reservados. ABCP - Associação Brasileira de Cimento Portland ® 2004