Acima à
esq.: Reprodução de página do livro “Concrete. A Pictorial Celebration”, do ACI (2003)
Acima
à dir.: Facsímile do certificado de votação do autor no Cristo redentor
Cristo Redentor
Maravilha em concreto
Por
Paulo Helene
Diretor Presidente do IBRACON
O IBRACON e em especial este Presidente está muito orgulhoso de que grande parte dos 90 milhões de votos tenha recaído sobre a magnífica estátua do Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Nada mais justo, por tudo que ela representa.
As outras seis maravilhosas estruturas escolhidas: Muralha da China (220 a.C. a 1644 d.C.); Petra (9 a.C. a 40 d.C.); Coliseu de Roma (70 a 82 d.C.); Pirâmide de Chichén Itzá (800 d.C.); Machu Picchu (1460 a 1470 d.C.) e Taj Mahal (1630 d.C.) datam de muitos anos atrás e foram construídas utilizando a rocha como material estrutural básico.
A majestosa estátua do Cristo Redentor, além de seu enorme significado de paz, esperança e proteção, é a única construída com material estrutural de nosso tempo, o versátil e resistente concreto armado, que viabilizou um monumento seguro, esbelto e durável, praticamente uma detalhada escultura.
Em 2003, quando o ACI - American Concrete Institute decidiu publicar o glorioso livro “Concrete. A Pictorial Celebration” como parte das comemorações do centenário daquele Instituto, o IBRACON atuou firme para conseguir inserir várias obras brasileiras, entre elas a estátua do Cristo, lindamente retratada na página 165.
Em outubro de 2006, tomando conhecimento desse movimento internacional de escolha democrática das novas sete maravilhas mundiais, o IBRACON enviou circular, reproduzida abaixo, conclamando o nosso meio técnico para votar na estátua do Cristo. Posteriormente várias entidades se engajariam na mesma corrente positiva.
Depois de participar, no Rio de Janeiro, do 48º Congresso Brasileiro do Concreto, 48ºCBC2006, o então presidente do ACI, Eng. Thomas Verti, retornou aos Estados Unidos com uma excelente imagem da engenharia de concreto e do Brasil.
Expressou sua aprovação, por primeira vez na história daquele Instituto, de forma clara e carinhosa, no editorial da consagrada revista “Concrete International”, v. 28, n. 11, de Nov. 2006.
Ilustrou seu editorial com uma bela foto do Cristo Redentor, tirada por ele mesmo, que se impressionou com tão bela obra em concreto, inaugurada em 1931, no mesmo ano do Empire State Building, porém nosso Cristo, todo em concreto armado e com 39,6 m de altura, foi considerado um dos mais altos monumentos, em concreto, da época.
Reproduzindo suas expressões no texto: “... what impressed me most is the massive reinforced concrete and stone statuary depiction of Christ the Redeemer atop of Corcovado Mountain, towering over the City and reaching out with open arms to all. It is strong message, crystal clear to all who experience its silent splendor, is universal...”
A idéia de erguer um monumento religioso no Morro do Corcovado surgiu em 1859 pelo padre Pedro Maria Boss. Mas a pedra fundamental da construção foi lançada apenas em 1922, em comemoração aos 100 anos da Independência do Brasil.
De 1922 a 1928, várias maquetes foram elaboradas, até que se decidiu pela substituição da estrutura metálica originalmente pensada por uma estrutura de concreto armado. Nessa época o concreto armado já era amplamente utilizado no país e o Brasil caminhava para dois recordes internacionais em altura, o edifício “A Noite” no Rio de Janeiro e o edifício “Martinelli” em São Paulo.
O projeto estrutural foi do engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa com a colaboração preciosa de Albert Caquot, reconhecido projetista estrutural francês. Para o desenho artístico, ele contou com a colaboração do artista plástico brasileiro Carlos Oswald e do polonês Maximillien Paul Landowski, que era reconhecido escultor na França.
A estrutura em concreto armado foi toda construída “in loco” no alto da encosta, fazendo uso de poucas partes pré-fabricadas. Sacos de cimento, areia, armaduras, fôrmas, além da água e do revestimento final em pedra-sabão, subiram morro acima pelos trilhos do trenzinho do Corcovado, construído sob Dom Pedro II.
Inaugurado em 12 de outubro de 1931, o Cristo Redendor é considerado patrimônio histórico da humanidade desde 1937 e santuário católico desde 2006.
Hoje com 76 anos de idade, a estrutura da estátua requereu apenas duas intervenções de manutenção, realizadas nas décadas de 80 e de 90, o que a caracteriza como de exemplar vida útil e como mais uma obra de excelência da engenharia nacional.
Com todas essas maravilhas da humanidade, e tantas outras, projetadas pelas brilhantes cabeças de arquitetos e engenheiros civis, e construídas pelas mãos de bravos homens liderados por exímios engenheiros construtores, não há como não orgulhar-se dessa nossa nobre profissão!
Abraços
Mensagem enviada em 25 de outubro de 2006:
As Novas 7 Maravilhas do Mundo. Brasil é Candidato
As primeiras 7 maravilhas do mundo (antigo) datam da época helenística e reverenciavam a habilidade dos arquitetos e engenheiros de criar e alterar para melhor o meio ambiente que nos circunda. Representavam também uma celebração ao poder, à religião, às ciências, à arquitetura, à engenharia, à beleza e às artes de uma época.
Foram propostas por um arquiteto/engenheiro grego, chamado Philo, em 200 a.C. Tal lista foi posteriormente objeto de muitos historiadores, consagrando-se somente na Idade Média com os seguintes monumentos:
- A Estátua de Zeus Olímpico com 12 m de altura, esculpida em marfim e coberta de ouro por Fídias, no século V a.C. Destruída por vândalos e incêndio por volta do século V d.C. (800 anos de vida útil).
- O Colosso de Rodes com 30 m de altura, em bronze, inaugurado no ano de 280 a.C. Destruído por terremoto em 225 a.C. (55 anos de vida útil).
- O Templo de Artemis em Eféso, construído em rocha e inaugurado no ano 356 a.C. Destruído pelos bárbaros em 262 a.C. (94 anos de vida útil).
- Os Jardins Suspensos da Babilônia, construídos por Nabucodonosor em homenagem a sua amada esposa, Anitis, com colunas de rocha de até 100 m de altura, no ano 600 a.C. Destruídos pelo tempo (mais de 600 anos de vida útil).
- O Mausoléo de Halicarnasso, construído em rocha, no ano 353 a.C. Destruído por vários terremotos.
- O Farol de Alexandria, construído por Alexandre, o Grande, em rocha com 134 m de altura, no ano de 280 a.C. Destruído por um terremoto no século XIV d.C. (1.700 anos de vida útil).
- A grande Pirâmide de Queóps, construída em rocha, entre 2680 a.C. e 2544 a.C. com 146 m de altura. Existe até hoje e é considerada a mais alta estrutura construída pelo homem durante mais de 43 séculos, tendo sido superada somente em 1889 pela Torre Eiffel (por enquanto, mais de 4.300 anos de vida útil).
As novas 7 maravilhas são iniciativa de um suíço, Bernard Weber, através da “The New 7 Wonders Foundation”, que em parceria com a UNESCO está recebendo votos e indicações de obras emblemáticas existentes e inauguradas até o ano 2000. A nomeação das novas 7 maravilhas vai ocorrer numa cerimônia em Lisboa, no dia 7 de julho de 2007, ou seja, tudo 7 (07.07.07).
O Brasil concorre com o Cristo Redentor, magnífica, simbólica, reconhecida e sagrada obra em concreto armado, hoje com 75 anos de idade e em perfeitas condições de conservação. Tem 38 m de altura (mais os 700 m do Corcovado) e foi inaugurado em 1931 (mesmo ano do Empire State Building em Nova York).
O prazo de votação vai até o princípio de 2007. Eu já votei pelo nosso Cristo Redentor do RJ e gostaria de vê-lo entre as 7 novas maravilhas do mundo moderno. Quem sabe você também vota tentando incluir uma obra brasileira e de concreto entre as 7 mais significativas do mundo moderno. Consulte: www.new7wonders.com
Abraços de
Paulo Helene
Diretor Presidente do IBRACON
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