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Bloco democrático

Paisagista fala de sua experiência com pavimentos intertravados e da versatilidade de um sistema que atende a todos os padrões de construção

Por Heloisa Amorim de Medeiros

Atuando há 15 anos em projetos de paisagismo, a arquiteta Martha Gavião, formada em arquitetura pela PUC-Campinas, com aperfeiçoamento na Alemanha, especifica a pavimentação intertravada com blocos de concreto desde o início das atividades de seu escritório em São Paulo. Ela estima que sejam mais de 500 projetos de paisagismo, boa parte deles executados em áreas externas de edifícios, condomínios horizontais, residências, escolas, áreas públicas e até cemitérios com pavimentação intertravada. Nesta entrevista, Martha destaca as vantagens dos blocos, entre elas, seu uso democrático, adequado tanto a condomínios de luxo quanto a empreendimentos populares.

Quando você começou a especificar a pavimentação intertravada para áreas comuns de edifícios?
Martha Gavião -
Meu escritório de paisagismo completou 15 anos e desde o início das minhas atividades trabalho com os pavimentos intertravados. Na Alemanha, onde fiz especialização em paisagismo, o uso dessa opção era comum. Porém, no Brasil ainda não era difundido.

Agora, o uso dos blocos de concreto intertravados vem experimentando um crescimento. A que você atribui esse incremento?
MG -
Acredito que, aos poucos, o mercado começa a conhecer as vantagens do pavimento intertravado. E acredito que tanto em empreendimentos imobiliários quanto em espaços públicos o uso tende a crescer cada vez mais, já que as pedras naturais têm custos crescentes e a sua extração não é ecologicamente correta.

Quais as principais vantagens que você vê nos blocos intertravados?
MG -
Uma das características mais interessantes é a questão da manutenção, pois se é preciso consertar tubulações, por exemplo, basta retirar os blocos e depois recolocá-los, sem que se note que houve intervenção. Eles não deixam remendos. Outra grande vantagem é que são bastante resistentes, permitindo a circulação de automóveis. Sem falar da sua boa adaptação à topografia dos terrenos, sem risco de trincas, descolamentos e fissuras. O fato de ser um pavimento drenante também é um ponto positivo. Quando se usa grama junto com os blocos, ela cresce bonita, transformando-se num gramado firme. Tenho exemplos assim em projetos de paisagismo executados em casas no litoral.

Como você especifica os blocos e escolhe os diferentes modelos e resistências?
MG -
Geralmente utilizo os de dimensões e resistências menores em áreas de circulação de pedestres e os maiores para pavimentos com circulação de carros. Qualquer dúvida que surge, no momento da especificação, ligamos para a ABCP, que sempre nos atende prontamente. Por exemplo, num condomínio de alto padrão, em São Paulo, o cliente queria que usássemos um determinado modelo de blocos. Achei que não eram adequados e recorri à ABCP para pedir orientação sobre como deveria ser o travamento naquele caso e, no mesmo dia, recebi gráfico com todos os dados, o quanto suportaria de tráfego, como deveria ser o travamento e outras várias informações. A partir dos dados, mudei a especificação. Outro caso: em uma residência no Morumbi, o cliente queria um tipo de bloco que, com rampa de 20% de inclinação, poderia dar problema. A ABCP então recomendou a utilização de vigas de travamento. E é assim que procedemos. Confiamos de olho fechado nas orientações da ABCP, que sempre foram muito úteis. Nossos clientes também, quando falamos que foi a ABCP que recomendou determinado procedimento, a questão é encerrada.

Em que padrão de empreendimento residencial você tem usado o pavimento intertravado?
MG -
Os blocos intertravados são democráticos e têm sido usados nos três tipos de casos – baixo, médio e alto padrões. Temos feito projetos em edifícios e também em condomínios de residências unifamiliares, cuja oferta vem aumentando nos últimos dois anos, em razão da Lei de Vilas, em São Paulo. Tenho projetos em condomínios mais populares, como no Campo Limpo e Jaraguá, e em empreendimentos de luxo, bem exclusivos, com quatro a seis residências, no Morumbi. E eu digo democráticos porque as pedras, por exemplo, são sempre mais caras e, portanto, acessíveis a um público de melhor poder aquisitivo. Com os blocos intertravados tenho a opção de usar os coloridos, cerca de 30% mais caros, para os projetos de padrão mais elevado e os sem cor para os mais populares.

Qual sua avaliação quanto às cores disponíveis?
MG -
É claro que como profissionais de paisagismo queremos sempre mais opções de cores para poder criar projetos diferenciados. E essa é uma exigência cada vez maior dos nossos clientes. Procuro sempre inovar na paginação e oferecer soluções originais. Gostei da cor nova lançada recentemente para os blocos, o sépia. É preciso, no entanto, tomar cuidado com empresas que oferecem produtos que desbotam, coisa que já ocorreu comigo. Por isso, faço questão de ter fornecedores com o Selo da ABCP, pois assim não corro mais esse perigo.

A seu ver, os blocos intertravados são fáceis de serem combinados com outros materiais?
MG -
Sim, porque têm um visual neutro. No entanto, não misturo com outros materiais na paginação do piso, pois fica difícil manter o intertravamento. Mas eles combinam com paredes revestidas com madeira, revestimento cerâmico, pedras, enfim qualquer tipo de material.

Que novo produto você gostaria que a indústria de blocos intertravados oferecesse?
MG -
O meu sonho é ter blocos mais esbeltos, mais finos, com menor peso, para aplicar sobre as lajes térreas das áreas comuns dos edifícios. Por ser a laje que cobre os subsolos, não admite maiores sobrecargas.

 


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