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Marcelo Dalimier, do Instituto del Cemento
Portland Argentino, durante palestra no Concrete Show


Pistas de concreto
Argentina mostra sua experiência com o uso dessa tecnologia em seus aeroportos

O Concrete Show South America, evento realizado entre 15 e 17/08 no Transamérica Expo Center, em São Paulo, trouxe ao debate diversos temas relacionados ao cimento e ao concreto. Um deles ganhou grande destaque. Trata-se do seminário “Pavimentos Ecológicos em Concreto – Uma realidade sul-americana e, principalmente, brasileira”, que abriu a exposição. Seis temas fizeram parte da apresentação, feita por cinco especialistas no assunto, entre eles Marcelo Dalimier, do Instituto del Cemento Portland Argentino.

Dalimier falou sobre a experiência positiva da Argentina na utilização de pavimento rígido nos principais aeroportos daquele país, uma abordagem bastante oportuna, já que o debate sobre a qualidade e a segurança das pistas dos aeroportos está em pauta no Brasil. “O concreto é mais durável e resistente aos impactos, por isso, sua tecnologia é mais apropriada para suportar as pesadas cargas das aeronaves. Outra vantagem é que as ranhuras (textura) podem ser feitas durante a própria execução da pista”, explicou. Segundo especialistas da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), as ranhuras são necessárias para reduzir a possibilidade de acidentes em dias de chuva por motivo de aquaplanagem das aeronaves.

O engenheiro argentino tratou de outros benefícios do pavimento de concreto em aeroportos. Um deles é a manutenção. Em sua palestra, ele mostrou como é feita a limpeza das pistas na Argentina - processo fácil e rápido, realizado com jateamento de água sob pressão e solventes específicos para o concreto. A limpeza é um problema enfrentado pelo Brasil, que possui pistas emborrachadas com o acúmulo de resíduos. De acordo com ele, o uso do pavimento de concreto praticamente dispensa a manutenção. “Quando se faz um aeroporto, espera-se que ele nunca pare para reparos, porque as paralisações são muito custosas.”

A rapidez da obra com o pavimento rígido também foi destacada pelo palestrante, que trouxe exemplo muito interessante sob esse aspecto. “A pista do aeroporto de El Calafate, na Patagônia, possui 2.550 metros de extensão e 45 metros de largura, e foi feita em somente 55 dias”, exemplificou. Ao tratar dos custos dessa tecnologia na Argentina, Dalimier confirmou o que a ABCP e outros órgãos e profissionais brasileiros afirmam há anos - o pavimento de concreto chega a ser 4% mais barato que o asfáltico.

Pelo mundo
O pavimento de concreto é utilizado em aeroportos dos cinco continentes. Na América do Sul, Guatemala, Bolívia, Chile e Argentina adotam essa prática. O mesmo ocorre em cidades européias, como Frankfurt, Munique e Barcelona, e norte-americanas, como Atlanta e Dallas, por exemplo. No Iraque, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o aeroporto de Bagdá adota o pavimento de concreto. A Argentina utiliza o concreto em seus aeroportos desde 1936, enquanto que no Brasil há somente uma pista aeroportuária civil com essa tecnologia - o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, Galeão - Antonio Carlos Jobim, que em mais de 30 anos de existência precisou de manutenções mínimas e não tem registro de paralisações em função de chuvas.

Uma das principais vantagens do uso do concreto em vias aeroportuárias é a segurança. Isso porque a distância necessária para frenagem das aeronaves pode ser menor. Outra característica é que o pavimento reflete e torna a pista mais clara, ponto ambientalmente favorável, pois necessita de menos energia. Segundo Dalimier, mais um aspecto positivo da tecnologia é que ela não absorve calor e também não forma trilhos de rodas dos aviões nas pistas.

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