Arco de cores
Obras
e elementos coloridos mostram versatilidade dos
produtos à base de cimento
A arquitetura brasileira
está, cada vez mais, tirando partido
das cores. O lançamento do cimento de
cor canela pela Votorantim, em 2003, e o uso
do cimento branco (Camargo Corrêa e Votorantim)
em obras recentes - como a ponte estaiada Irineu
Bornhausen, em Brusque-SC, por exemplo - dão
conta da expectativa do mercado por materiais
coloridos. Além do cimento, também
o concreto oferece essa possibilidade, graças
à adição de pigmentos.
De uma forma ou de outra, a tendência
é diversificar.
O arquiteto Ruy Ohtake,
por exemplo, é um entusiasta do concreto
colorido. “Tenho usado cores fortes em
minhas obras para resgatar o colorido das cidades
brasileiras. Não podemos esquecer de
nossas origens, de cidades como Parati-RJ e
Outro Preto-MG, com suas casas pintadas em cores
fortes”, lembra ele. Em seus projetos,
Ohtake vem especificando concreto pigmentado,
como é o caso do Hotel Unique, em São
Paulo, que possui uma grande empena negra que
se destaca da fachada em formato ondulado. Outra
de suas obras é o prédio da Embaixada
do Brasil em Tóquio, com concreto amarelo.
Para o arquiteto Paulo
Eduardo Fonseca de Campos, da Precast Consultoria,
as cores na arquitetura - e principalmente nos
pré-fabricados de concreto e produtos
à base de cimento - são tendências
crescentes no país nos últimos
10 anos. “Na Europa, isso já acontece
há mais tempo. Aqui, quando os pré-fabricados
eram mais utilizados em construção
industrial, nos anos 1980, não havia
essa preocupação. Mas com a sua
difusão em edifícios comerciais
e residenciais, principalmente painéis
arquitetônicos, a demanda por cores vem
aumentando”, explica.
Pigmentos
Utilizados há bastante tempo, os pigmentos
no concreto são coadjuvantes importantes
da arquitetura e vêm passando por uma
evolução acentuada nos últimos
anos. Os fabricantes oferecem os pigmentos em
pó ou já diluídos em água,
o que facilita e dá ganho de velocidade
na mistura ao concreto. Esses pigmentos disponíveis
no mercado são produzidos a partir de
um único insumo: ferro velho, de onde
é retirado o óxido de ferro. A
linha Bayferrox, fabricada pela Bayer, é
sintética. E cada vez mais a cartela
de cores à disposição do
mercado aumenta. As cores se multiplicam em
tons de amarelo, ocre, areia, terra, laranja,
preto, marrom e vermelho, entre outras, e podem
ser utilizadas em artefatos de concreto, pavers,
telhas, pisos, blocos, fachadas pré-fabricadas,
argamassas, rejuntes e em todos os tipos de
produtos à base de cimento e peças
estruturais de concreto. Dependendo do cimento
com que são usados, branco ou cinza,
os pigmentos dão ainda diferentes resultados
de cores.
A versatilidade do óxido
de ferro para pigmentos é grande, pois
os diferentes processos de oxidação
resultam em cores distintas, de acordo com Marcelo
Pecchio, supervisor de Mineralogia da Associação
Brasileira de Cimento Portland (ABCP). “A
primeira cor é o amarelo. Com uma determinada
variação de temperatura, consegue-se
o vermelho. Retirando-se o oxigênio do
processo, obtém-se o preto. As outras
cores são combinações desses
pigmentos básicos”, afirma.
A explicação
para quase não haver no Brasil concreto
nas cores azul ou verde e suas nuances é
que os pigmentos inorgânicos, que geram
estas cores, o óxido de cobalto e o óxido
de cromo, respectivamente, são muito
caros. Essas cores no concreto também
podem ser obtidas com pigmentos orgânicos,
porém sua durabilidade em áreas
externas é mínima. Em áreas
internas, não há problemas com
sua utilização.
Agregados
influenciam cores
Um cuidado importante a ser tomando na pigmentação
do concreto, principalmente na área de
artefatos, pré-fabricados e produtos
feitos com cimento, é o controle das
matérias-primas, a fim de evitar a variação
nas cores das peças. Segundo Cláudio
Oliveira Silva, supervisor do Laboratório
de Concreto da ABCP, muitas vezes culpam-se
os pigmentos pela diferença nas cores
dos produtos. Porém, é preciso
fazer o controle de recebimento de todos os
materiais, desde a brita (que pode ter variação
nas jazidas) até os agregados miúdos.
“O cimento ou o concreto coloridos têm
futuro promissor, mas é preciso ter domínio
de todo o processo de produção.
Não é apenas o pigmento que vai
refletir a luz e fazer o produto emitir uma
cor. Tudo vai depender também da umidade,
da porosidade, do controle tecnológico
do concreto”, analisa Silva.
“No âmbito
da Comunidade da Construção, a
ABCP tem-se reunido com os fabricantes para
discutir a questão das variações
nas cores do concreto. Temos insistido que com
o controle de recebimento e cuidados como os
que recomendamos acima, é possível
ser bem-sucedido na meta de produzir produtos
homogêneos no que diz respeito às
cores”, informa o engenheiro da ABCP.
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