70% da indústria do cimento está fora de operação

28/05/2018
Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedinmail

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), entidades representantes do setor, informam que 70% de suas fábricas em todo o Brasil estão fora de operação, em decorrência da greve dos caminhoneiros, iniciada na semana passada. Levantamento realizado desde a última segunda-feira aponta que o problema se agravou e que agora menos de 3% da quantidade média diária de cimento distribuída no país está chegando a seu destino.

“Antes da paralisação, o setor distribuía em média 200 mil toneladas/dia. No início da greve, esse número passou para 10 mil toneladas/dia e agora não chega a 6 mil toneladas diárias”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC e da ABCP.

Penna destaca que a indústria do cimento possui características bem específicas e que isso torna ainda mais complexa a situação em função da greve dos caminhoneiros. A inatividade é provocada tanto pela extrema dificuldade para a chegada dos insumos às fábricas quanto pela impossibilidade de armazenar/escoar o cimento já produzido.

“O cimento é um produto perecível e que requer condições especiais de armazenagem e transporte. Os locais destinados ao armazenamento, por exemplo, são projetados para acumular no máximo três dias de produção”, diz. Além disso, ele lembra que há uma diversidade de origens (estradas, portos) e de sistemas de entrega de matérias-primas nas fábricas, o que torna mais difícil sua distribuição.

Para os próximos dias, a preocupação da indústria do cimento é quanto à questão dos custos envolvidos na produção. O SNIC está atento tanto aos crescentes custos individuais dos insumos como também em relação ao custo do frete, que será aumentado, seja pelo tabelamento instituído pela Medida Provisória 832 (publicada no último dia 27), seja pela forte demanda prevista pela retomada das diversas atividades econômicas no país.

O SNIC e a ABCP reforçam também que, depois de encerrada a greve dos caminhoneiros, será necessário um período de ajustamento de pelo menos duas a três semanas para que o funcionamento das fábricas de cimento seja normalizado. E lembra ainda dos impactos sociais da paralisação na cadeia da construção civil que está afetando diretamente na manutenção dos empregos do setor.