Coalizão pela Construção

08/08/2018
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Como foi a participação dos candidatos no evento O Futuro do Brasil na Visão dos Presidenciáveis 2018

Fotos: Guilherme Kardel / CBIC

A Coalizão pela Construção, frente setorial formada por 26 entidades da indústria da construção, recebeu nesta segunda-feira (06/08/2018), no auditório do Edifício Armando Monteiro Neto, em Brasília, os principais candidatos à Presidência da República para o encontro O Futuro do Brasil na Visão dos Presidenciáveis 2018. O evento teve a presença de 340 participantes, segundo os organizadores, e foi transmitido ao vivo pelas redes sociais. “Queremos saber como o setor da construção pode contribuir para melhorar o País”, disse o presidente da CBIC e porta-voz da Coalização, José Carlos Martins, ao abrir o evento. Ele lembrou que o setor da construção é a locomotiva ou o freio da economia nacional.

Durante todo o dia, os candidatos Marina Silva (REDE), Geraldo Alckmin (PSDB), Álvaro Dias (PODEMOS), Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB) puderam apresentar seus planos e prioridades alinhados aos tópicos mais importantes para a construção civil. “O objetivo da Coalizão pela Construçãoé atuar conjuntamente na defesa institucional da agenda estratégica da construção, estabelecendo diálogo com diversos atores em torno de temas de interesse comum para resgatar o desempenho das empresas”, explica Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP/SNIC, entidades representantes da indústria de cimento e que lideram o movimento ao lado da CBIC (construtoras), Sinicon (construção pesada) e Instituto Aço Brasil (aço).

O evento

O encontro foi dividido em cinco painéis, mediados por Fernando Rodrigues, do Poder 360, e teve participação dos dirigentes da Coalizão pela Construção*. No debate, os representantes das associações líderes, juntamente com o moderador, formularam perguntas aos candidatos. Coube a Paulo Camillo Penna e a Sérgio Bautz, representando ABCP/SNIC, interpelar os candidatos Ciro Gomes e Henrique Meirelles, respectivamente.

Para Bautz, o evento foi uma “oportunidade de conhecer claramente as posições de cada um dos candidatos”. Além disso, acrescentou Paulo Camillo, a presença de 112 jornalistas na cobertura mostrou um “destacado posicionamento de liderança da indústria da construção, levando e obtendo dos presidenciáveis propostas e reconhecimento do papel fundamental da cadeia produtiva da construção civil para o desenvolvimento do País, com ênfase na empregabilidade, infraestrutura e moradia”.

Dirigentes da Coalizão pela Construção

Renato Gaspareto, conselheiro do Instituto Aço Brasil; Íria Lícia Oliva Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC); Maria Elizabeth Cacho do Nascimento (Betinha), vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC); Celso Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC; Evaristo Pinheiro, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon); Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento); Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Comissão de Infraestrutura (COP) da CBIC; Ramon Rocha, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon); Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, e Sérgio Bautz, conselheiro da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

>> Saiba mais sobre a Coalizão pela Construção em: Indústria da construção: crescimento com emprego e investimento

 

AS PROPOSTAS DOS CANDIDATOS

 

MARINA SILVA (REDE)

Minha Casa, Minha Vida é uma dívida que o País tem com os brasileiros

A candidata Marina Silva (REDE) defendeu o amplo investimento na área de infraestrutura, com foco na eficiência dos gastos públicos, transparência e combate ao desperdício. Considera o setor de construção importante não só no cenário macroeconômico, com a geração de empregos e a retomada dos investimentos no País, mas também na inclusão social e qualidade de vida dos brasileiros. Ela destacou a importância de programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e disse que irá ampliar os investimentos em infraestrutura, passando dos atuais 2% do PIB para 4% ou mais.

“O Programa Minha Casa, Minha Vida é uma dívida do País aos brasileiros. Com ele, garantimos não só moradia, mas amparo emocional para a população menos assistida.”

Propostas de Marina Silva para outros temas abordados por ela

  • Licenciamento ambiental – reforçar os mecanismos de licenciamento ambiental para dar agilidade aos processos.
  • Saneamento básico – aprimorar o marco legal existente e apoiar os municípios na elaboração de seus projetos visando a universalização do saneamento básico.
  • Previdência social – promover uma grande reforma para equilibrar as contas públicas e retomar a confiança dos investimentos no País; abrir o debate sobre a previdência social com a sociedade, tendo como foco o combate aos privilégios.
  • Reforma tributária – considera uma das medidas necessárias para a melhoria do ambiente de negócios.

 

GERALDO ALCKMIN (PSDB)

Estímulo à competitividade no setor privado vai destravar a economia do Brasil 

O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu a garantia de condições jurídicas, de crédito e planejamento para dar tranquilidade ao investidor e retomar o crescimento do País. Para ele, o Brasil se tornou caro e pouco competitivo ao longo dos últimos anos. E a solução para reverter esta realidade é a abertura comercial e diminuição da interferência do governo na atuação empresarial.

“Nossa ideia é desburocratizar, desregulamentar e estimular a atividade empreendedora para destravar a economia. Precisamos investir em moradia, saneamento básico e infraestrutura modal e, para isso, devemos usar o FGTS.”

Propostas de Geraldo Alckmin para outros temas abordados por ele

  • Reformas tributária, previdenciária, política e de Estado – realizar todas ainda no primeiro ano de mandato. Ele pretende “zerar o déficit” em menos de dois anos, abrindo espaço para investimentos.
  • Infraestrutura – propõe uma “parceria” com a Coalizão do setor da construção civil.
  • Assumiu o compromisso de criar, caso eleito, o Conselho Nacional da Construção Civil, órgão ligado à Presidência da República/Casa Civil.

 

ÁLVARO DIAS (PODEMOS)

Conselho consultivo para ouvir o setor e melhorias no Minha Casa, Minha Vida

Uma das bases da proposta de Álvaro Dias (PODEMOS) é o combate à corrupção por meio da reforma do Estado, com a diminuição da máquina pública e a redução de ministérios. Segundo ele, sem essa medida não há recurso para fomentar o desenvolvimento.

Ele acredita que, para recuperar o investimento público no setor da construção, o ajuste fiscal deve ser acompanhado de crescimento econômico, daí a necessidade da segurança jurídica e combate à corrupção. Prometeu criar um conselho consultivo para ouvir o setor da construção.

“Quem quer conhecer o setor, tem que conversar com ele”.

Propostas de Álvaro Dias para outros temas abordados por ele

  • Burocracia – defendeu reduzir a burocracia para melhorar o ambiente de negócios; reduzir a carga tributária, simplificando o seu modelo; diminuir os emolumentos; e reduzir a taxa de juros.
  • Habitação – vê a necessidade de prever creches e transporte público próximos às residências do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
  • Infraestrutura – quer recuperar a credibilidade do País junto ao setor privado para utilizar nas PPPs, concessões e privatizações os mecanismos de fomento que o País dispõe (Banco do Brasil, Caixa e BNDES).

 

CIRO GOMES (PDT)

A retomada da economia depende da construção civil

O candidato Ciro Gomes (PDT) defendeu um sacrifício fiscal em prol da retomada do crescimento econômico. Para ele, o setor da construção civil tem um papel importante na reviravolta econômica do Brasil, uma vez que responde aos estímulos, cria empregos e gera renda de forma rápida e a custos baixos.

Dado a incapacidade de investimentos por parte dos municípios e Estados, o candidato se manifestou favoravelmente a um programa de concessões municipais, bem como demais projetos da construção, que promovam o desenvolvimento dos municípios. A ampliação das concessões impulsiona a empregabilidade, destacou o candidato Ciro Gomes.

Em termos gerais, ele defende investimentos imediatos nas áreas de Defesa, Saúde, Agronegócio e no setor de Gás e Petróleo.

“Precisamos diminuir despesa e aumentar a receita no Brasil. E, com o setor da construção civil, isso é possível.”

Propostas de Ciro Gomes para outros temas abordados por ele

  • Infraestrutura – ele declarou metas de governo, segundo as quais todas as obras de transporte urbano no Brasil, que hoje custam cerca de R$ 300 bilhões, vão ser resolvidas em até 10 anos e ainda garantiu acabar com o déficit brasileiro.
  • Competitividade – para alcançar patamares superiores, defendeu o equilíbrio do câmbio, da taxa de juros e da tributação. Propôs “reindustrializar” o Brasil para equilibrar as contas.
  • Legislação – pretende repensar a Lei das Licitações, Lei de Desapropriações e a Lei do Licenciamento Ambiental.

 

HENRIQUE MEIRELLES (MDB)

A construção será prioridade número 1 de seu governo

O candidato Henrique Meirelles (MDB) prometeu prioridade aos investimentos em infraestrutura, sob argumento de que o crescimento econômico está ligado diretamente à criação de empregos e à construção civil. Citou seu “Programa Brasil Integrado”, projeto de infraestrutura urbana, interurbana e de longa distância, e prometeu a retomada imediata de mais de 7 mil obras que estão paralisadas ou andando lentamente, com investimentos na ordem de R$ 80 bilhões.

Ele reforçou a necessidade de aprovação da Reforma da Previdência e da Reforma tributária, para melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos.

“Temos que diminuir as despesas obrigatórias para voltar a investir. Se conseguirmos aprovar a Reforma da Previdência, conjugado ao teto dos gastos, nossas despesas – que hoje representam 20% do PIB e podem subir para 25% em dez anos – vão cair para 15%”.

Propostas de Henrique Meirelles para outros temas abordados por ele

  • Produtividade – disse ter encaminhado ao Congresso Nacional quinze propostas para aumentar a produtividade da economia.

Investimentos – pretende incorporar o setor privado aos debates e planejamentos para novos investimentos. Prometeu realizar mesas de discussões e grupos de trabalho para envolver os agentes privados nos processos de concessões e definições de novos projetos de infraestrutura, para não só planejar, mas simplificar o processo legal e regulatório, além de dividir os riscos de forma