12º ConstruBusiness: “Investir com responsabilidade para retomar o crescimento”

13/12/2016
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O Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic) lançou e apresentou oficialmente ao Governo um estudo com as contribuições do setor para a retomada do crescimento do país por meio da construção. Com o tema “Investir com Responsabilidade”, a 12ª edição do ConstruBusiness, Congresso Brasileiro da Construção, reuniu mais de 700 pessoas na sede da Fiesp, no dia 5 de dezembro de 2016.

De acordo com o estudo, o Brasil investiu R$ 626,1 bilhões em construção em 2015. Para 2016, estima-se um investimento de R$ 592 bilhões, que representa uma queda real de 5,4%. O material mostra também que de 2014 até 2016 os investimentos devem cair 20,1%, em termos reais.

 

Infraestrutura

O estudo traz uma análise da cadeia produtiva, focando em investimentos para infraestrutura econômica (energia, transportes e telecomunicações) e desenvolvimento urbano (habitação, mobilidade urbana e saneamento), no período de 2017 a 2022.

Levando em conta as estimativas dos investimentos em construção de 2016, esse montante equivalerá a cerca de 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e de 60% da formação bruta de capital fixo no país. E para que o Brasil atinja um patamar positivo até 2022, são necessários investimentos anuais de R$ 682,2 bilhões, cerca de 10,6% do PIB nacional. Isso significa que para alcançar níveis satisfatórios em desenvolvimento urbano e infraestrutura econômica, os investimentos devem somar R$ 4,093 trilhões no total do período dos cinco anos mencionados.

Para Carlos Eduardo Auricchio, diretor titular do Deconcic, o impacto disso sobre a competitividade do país é enorme. “A cadeia produtiva da construção constitui uma imensa força, que pode contribuir de maneira significativa com o crescimento do Brasil. Atualmente suas atividades reúnem cerca de 6,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o que representa 13,4% da força de trabalho no país. A retomada dos empreendimentos pode garantir a geração de empregos imediatos, além de retorno financeiro aos cofres públicos, por meio dos tributos”, disse.

 

Período 2017-2022

Na área de transportes, as necessidades de investimentos somam R$ 68 bilhões por ano para rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Além disso, são necessários R$ 17,5 bilhões para a expansão do sistema de geração, transmissão e distribuição de eletricidade e R$ 20,6 bilhões para projetos na exploração, produção e distribuição de petróleo e gás. E, para telecomunicações, são necessários investimentos na ordem de R$ 7,7 bilhões. Com isso, o total de investimentos necessários em infraestrutura econômica é de R$ 114,1 bilhões por ano no período.

Já em desenvolvimento urbano, é necessário fomentar e conceder crédito para investimentos. Na área habitacional, o investimento soma R$ 205,5 bilhões por ano para novas moradias, R$ 155,4 bilhões para reformas, ampliações e construção de edificações comerciais. No campo da mobilidade urbana, é preciso injetar R$ 13,4 bilhões anuais para projetos em metrôs e trens, enquanto R$ 13,1 bilhões por ano devem ser consumidos para saneamento básico. O total de investimentos necessários para a área de desenvolvimento urbano é de R$ 387,6 bilhões por ano no período.

“No déficit habitacional, de 2010 a 2014 observou-se uma queda anual de 3,3% ao ano, uma redução total de 873 mil moradias no período. Para atender às novas famílias, eliminar a precariedade e reduzir a coabitação será necessária a construção de 8,8 milhões de moradias, cerca de 1,5 milhão por ano, até 2022”, avaliou Auricchio.

Segundo ele, o objetivo do 12º ConstruBusiness é discutir com empresários e representantes do setor, autoridades dos governos federal, estadual e municipal, imprensa, acadêmicos e a sociedade, a responsabilidade com o investimento de uma maneira focada em tudo aquilo que pode, de fato, destravar o investimento no setor da construção.

Participaram do congresso os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Bruno Araújo (Cidades), Ronaldo Nogueira (Trabalho), a secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Henriqueta Arantes, o vice-governador do Estado de São Paulo, Marcio França, o presidente da Frente Parlamentar da Indústria da Construção, deputado estadual Itamar Borges, além de diversos outros representantes públicos, de entidades do setor.

O presidente da República, Michel Temer, participou por telefone da abertura do ConstruBusiness. De acordo com o presidente, a infraestrutura é área em que o governo procura avançar bastante, como no caso do Minha Casa Minha Vida. Ele destacou também que a Caixa ampliou o financiamento para a classe média, para incentivar a construção civil.

A capacidade de geração de empregos graças à construção é grande, disse Temer. Abre-se campo muito fértil para o emprego e se incentivam os empreendedores da construção civil com iniciativas assim, afirmou. Destacou também o Cartão Reforma, que movimenta o setor de produção de materiais de construção, com linha de R$ 500 milhões para a população de baixa renda. “Tenho a mais absoluta convicção de que devemos melhorar a infraestrutura do país”, afirmou.

A abertura do ConstruBusiness teve a assinatura de protocolos – como o que cria uma padronização dos códigos de obras municipais e a adoção do licenciamento integrado de obras, firmado pela Associação Paulista de Municípios, a Frente Parlamentar da Indústria da Construção e a Fiesp.

O Congresso Brasileiro da Construção tem sido um ambiente fértil de contribuições do setor da construção para o poder público. Programas de governo como Minha Casa, Minha Vida e Programa de Aceleração do Crescimento foram desenvolvidos a partir desta iniciativa. A ABCP tem participação efetiva no Construbusiness deste sua primeira edição, realizada em 1997.

Para ter acesso ao material completo clique em www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao